STF ficou em 4 a 3 ou empatou em 4 a 4? Entenda o que aconteceu
Flávio Dino chegou a votar pela união dos processos, mas pediu mais tempo para analisar o caso antes da conclusão; por isso, seu voto saiu do placar formal
A sessão do Supremo Tribunal Federal desta terça-feira (15) provocou uma dúvida entre muitas pessoas: afinal, a votação terminou em 4 a 3 ou empatada em 4 a 4?
A resposta mais simples é: durante a sessão, o placar chegou a 4 a 4, mas a contagem formal ficou em 4 a 3 porque Flávio Dino pediu vista antes da conclusão do julgamento.
Quem votou pela separação dos processos?
Quatro ministros defenderam que os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça continuassem tramitando separadamente:
- Edson Fachin;
- André Mendonça;
- Luiz Fux;
- Cármen Lúcia.
Quem defendeu a união dos casos?
Três votos foram formalmente considerados a favor da análise conjunta dos processos:
- Cristiano Zanin;
- Gilmar Mendes;
- Alexandre de Moraes.
Flávio Dino também havia se manifestado pela reunião dos casos. Com o voto dele, o placar exibido durante a sessão chegou a 4 a 4.
Entretanto, antes que o resultado fosse oficialmente anunciado, Dino pediu vista — ou seja, solicitou mais tempo para estudar o processo.
Por esse motivo, o voto que ele havia apresentado deixou de integrar a contagem formal daquela etapa. O placar passou, então, a ser apresentado como 4 a 3 pela manutenção dos casos separados.
O que significa pedir vista?
O pedido de vista acontece quando um ministro solicita mais tempo para analisar uma questão antes de tomar uma posição definitiva.
Na prática, o processo fica temporariamente suspenso e o julgamento não pode ser concluído naquele momento.
Foi exatamente isso que aconteceu. Dino pediu vista antes da proclamação do resultado, impedindo que o STF encerrasse definitivamente a discussão sobre a união ou separação dos processos.
Então os casos continuarão separados?
Ainda não existe uma decisão definitiva.
Embora quatro ministros tenham votado pela tramitação separada e três pela união, o pedido de vista interrompeu o julgamento. A discussão deverá ser retomada quando Dino devolver o processo para análise do plenário.
Ele poderá manter o entendimento apresentado durante a sessão, modificar o voto ou trazer novos argumentos para a discussão.
Fachin poderia desempatar?
O Regimento Interno do STF permite que o presidente da Corte profira o chamado voto de qualidade em determinadas situações de empate.
Essa regra pode ser utilizada quando o empate decorre da ausência de ministros por impedimento ou suspeição e não existe outra solução prevista no Regimento.
Nesta votação, Kassio Nunes Marques declarou impedimento e Dias Toffoli também não participou.
No entanto, como Flávio Dino pediu vista antes da conclusão, não existe neste momento um empate formal de 4 a 4 para ser desfeito pelo presidente Edson Fachin.
Primeiro será necessário retomar o julgamento e definir como ficará o voto de Dino.
STF ainda não decidiu se Moraes será investigado
Outro ponto importante: o Supremo ainda não analisou a questão principal.
A discussão desta terça-feira tratou apenas de uma etapa preliminar — se os casos de Moraes e Mendonça devem ser analisados juntos ou separadamente e como o processo será conduzido.
O mérito sobre a eventual abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes ainda não foi decidido.
O caso envolve mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e divergências entre os ministros sobre a obtenção e a validade dessas informações.
Em resumo:
- O placar chegou a aparecer como 4 a 4 durante a sessão;
- Dino pediu vista antes da conclusão;
- O voto dele deixou a contagem formal;
- O placar provisório ficou em 4 a 3 pela separação;
- Não existe resultado definitivo;
- O STF ainda não decidiu se abrirá uma investigação contra Moraes.

