PF diz que lobista pediu atuação de Lulinha para tentar fechar negócios do Careca do INSS com o governo
Mensagens analisadas pelos investigadores envolvem projetos de canabidiol e testes de dengue no Ministério da Saúde; negociações não resultaram em contratos
A Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger pediu a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em tratativas destinadas a tentar viabilizar negócios de interesse do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, com o governo federal.
As informações constam de investigação da PF e foram reveladas nesta quarta-feira (26) pela Folha de S.Paulo.
Segundo a apuração, mensagens obtidas no celular de Roberta mostram cobranças para que Lulinha participasse das discussões envolvendo projetos que buscavam espaço no Ministério da Saúde.
Entre os negócios analisados pelos investigadores estavam uma tentativa de fornecimento de medicamentos derivados de canabidiol e outra relacionada a kits para diagnóstico de dengue e outras arboviroses.
Negócios não foram concretizados
Um ponto importante da investigação é que as tratativas não resultaram na assinatura dos contratos.
Em uma das frentes investigadas, havia uma proposta envolvendo aproximadamente R$ 627 milhões em medicamentos à base de cannabis. Também foram analisadas negociações relacionadas aos testes de dengue e a um projeto envolvendo a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego).
A Polícia Federal apura se pessoas próximas ao governo foram procuradas para facilitar o avanço dessas propostas dentro da administração pública.
Lulinha é investigado
Fábio Luís é alvo de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência.
Segundo a PF, existem elementos indicando que Lulinha e Roberta mantinham interesses econômicos comuns e atuação conjunta em determinados negócios.
A defesa de Lulinha contesta as suspeitas e afirma que ele não participou das negociações para obtenção dos contratos.
Os advogados também têm questionado a condução das investigações e alegado que informações sigilosas estariam sendo divulgadas de maneira seletiva.
Roberta Luchsinger, por sua vez, já declarou anteriormente que prestou serviços ao Careca do INSS relacionados à regulamentação do mercado de canabidiol, mas negou ter repassado a Lulinha valores referentes a esse trabalho.
Investigação continua
As mensagens e documentos recolhidos pela Polícia Federal fazem parte de inquéritos que analisam possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência.
Até o momento, as informações representam suspeitas e conclusões preliminares dos investigadores, e não condenações dos envolvidos.
As apurações seguem em andamento.

