Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões; disputa familiar envolve até anel milionário de Marina Ruy Barbosa
Tradicional rede paulista busca reorganizar as finanças enquanto uma longa batalha entre integrantes da família Fares expõe patrimônio, garantias imobiliárias e gastos milionários
A Marabraz, uma das redes mais conhecidas do varejo de móveis e eletrodomésticos de São Paulo, protocolou pedido de recuperação judicial com um passivo declarado de aproximadamente R$ 140,2 milhões.
O pedido foi apresentado no sábado (15) à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e reúne cinco empresas relacionadas à operação da rede.
Apesar da crise financeira, a Marabraz informou que continua funcionando normalmente e mantém suas lojas abertas. A empresa afirma que pretende utilizar a recuperação judicial para reorganizar compromissos, preservar empregos e garantir a continuidade das atividades.
Crise vai além das dificuldades do varejo
No pedido apresentado à Justiça, a empresa aponta uma combinação de fatores para explicar sua situação financeira.
Entre eles estão os juros elevados, restrições de crédito, retração do consumo e uma prolongada disputa societária e familiar envolvendo integrantes da família Fares.
Durante anos, imóveis pertencentes à família eram utilizados como garantias para operações financeiras relacionadas ao negócio.
Com as mudanças no controle da estrutura patrimonial familiar, entretanto, a operação da Marabraz teria perdido acesso a parte dessas garantias.
Segundo a empresa, bancos passaram então a exigir novas garantias, reduzir limites e aumentar os custos das operações de crédito, dificultando principalmente o financiamento do capital de giro.
Batalha pelo patrimônio da família
Parte da disputa envolve a LP Administradora de Bens, holding que concentra patrimônio imobiliário da família Fares.
Em 2011, participações da empresa foram transferidas para integrantes de uma geração mais jovem da família.
O controle desses ativos acabou se transformando posteriormente em uma longa batalha judicial entre familiares.
A disputa ganhou repercussão não apenas pelos valores envolvidos, mas também pelas acusações trocadas entre integrantes da família.
E onde entra Marina Ruy Barbosa?
Um detalhe da batalha familiar acabou levando o nome da atriz Marina Ruy Barbosa aos documentos e às reportagens relacionadas ao conflito.
Marina é noiva do empresário Abdul Fares, integrante da família ligada à Marabraz.
Em acusações apresentadas no contexto da disputa familiar, foram mencionados supostos gastos pessoais milionários atribuídos a Abdul. Entre os exemplos citados aparece um anel de noivado avaliado em US$ 1 milhão, presenteado à atriz.
O valor corresponde a vários milhões de reais, dependendo da cotação do dólar.
A joia, portanto, não está relacionada diretamente à dívida da Marabraz nem significa que Marina seja parte da recuperação judicial. O episódio aparece como um dos elementos utilizados nas acusações envolvendo membros da família.
Marabraz continua aberta
Para o consumidor, um ponto importante é que pedido de recuperação judicial não significa automaticamente o fechamento ou a falência de uma empresa.
O mecanismo permite que companhias em dificuldades financeiras tentem renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça enquanto continuam operando.
A própria Marabraz informou que pretende manter suas atividades e preservar empregos, fornecedores, clientes e parceiros durante o processo.
Fundada a partir dos negócios construídos pela família Fares em São Paulo, a rede tornou-se uma das marcas mais conhecidas do varejo paulista e chegou a contar com mais de uma centena de unidades.
Agora, além da disputa familiar que atravessa gerações, a empresa terá pela frente o desafio de convencer credores e a Justiça de que existe um caminho viável para reorganizar suas contas e continuar no mercado.

