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DestaqueSEGURANÇA

Investigação aponta que PCC controlaria 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo

Operação apura infiltração da facção no transporte público, contratos municipais e campanhas eleitorais; ex-presidente da SPTrans foi preso e Milton Leite é alvo de mandado

Ao menos 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista seriam controladas direta ou indiretamente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigação do Ministério Público de São Paulo.

As informações fundamentaram a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para apurar a infiltração do crime organizado em empresas de ônibus e diferentes setores do poder público.

A Justiça autorizou mandados contra 16 investigados, além de 18 ordens de busca e apreensão cumpridas em diferentes cidades do estado.

As suspeitas ainda estão em fase de investigação e não representam uma condenação definitiva das pessoas ou empresas mencionadas.

Ex-presidente da SPTrans é preso

Entre os principais alvos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), preso durante a operação.

Segundo a investigação, Levi teria mantido encontros periódicos com um suposto intermediário do PCC para tratar de interesses da organização criminosa relacionados ao setor de transporte.

Ele comandou a SPTrans em dois períodos e também ocupou a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito.

A defesa informou que ainda não teve acesso completo ao processo e ressaltou a trajetória de Levi no serviço público. Os advogados deverão se manifestar de maneira mais detalhada depois de conhecerem integralmente as acusações.

Milton Leite é apontado como operador

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil, também é alvo de um mandado de prisão temporária.

Ele não foi localizado durante o início da operação. Em declaração à imprensa, afirmou que estava no interior de São Paulo por compromissos pessoais e relacionados às campanhas de seus filhos.

Milton Leite negou estar foragido e declarou que se apresentará à polícia em até 24 horas.

De acordo com o Ministério Público, o ex-vereador seria o proprietário de fato da Transwolff, empresa que já havia sido colocada sob intervenção municipal depois de aparecer em investigações sobre lavagem de dinheiro para o PCC.

Relatos de policiais militares e documentos reunidos no processo são utilizados pelos investigadores para sustentar a suspeita.

Milton Leite nega ser dono da empresa e afirma que sua relação com o sistema de transporte sempre foi institucional, em razão de sua atuação política.

Empresas e contratos públicos

O Ministério Público suspeita que o PCC tenha utilizado empresários, pessoas interpostas e operadores financeiros para assumir o controle de companhias que disputaram contratos públicos na cidade de São Paulo.

Essas empresas poderiam ser empregadas para movimentar recursos provenientes de atividades criminosas, ocultar patrimônio e lavar dinheiro.

As investigações mencionam ainda contratos firmados entre companhias de transporte e empresas vinculadas a familiares de agentes políticos.

Um dos negócios analisados seria um contrato de aluguel no valor de R$ 812 mil mensais, pago pela Transwolff a uma construtora ligada à família de Milton Leite. A defesa contesta a validade das informações e nega irregularidades.

Financiamento de campanhas

A investigação também aponta uma possível participação do PCC no financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024.

O esquema teria envolvido candidaturas a prefeito e vereador, com repasses realizados por empresas ou intermediários ligados à facção.

Para o Ministério Público, a organização criminosa buscava ampliar sua influência política, obter acesso a contratos públicos e proteger os negócios controlados por seus integrantes.

As apurações tiveram origem em investigações anteriores que identificaram movimentações financeiras, mensagens e relações entre dirigentes de empresas, agentes públicos e suspeitos ligados ao crime organizado.

Prefeitura diz que colabora

A Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e que já adotou medidas contra empresas suspeitas.

A administração municipal rompeu ou interveio em contratos envolvendo companhias investigadas e avalia novas providências conforme o avanço das apurações.

A operação investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral ilegal.

As autoridades deverão agora analisar documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

Crédito das informações: Folha de S.Paulo, UOL e R7

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