Orçamento de 2027 prevê mínimo de R$ 1.741, superávit de R$ 18,6 bilhões e R$ 6 bi para os Correios
Governo envia proposta ao Congresso com previsão de contas no azul; novo salário mínimo representaria aumento de R$ 120, mas valor ainda poderá mudar
O governo federal encaminhou nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, trazendo números que terão impacto direto na economia e no bolso dos brasileiros.
Entre os principais pontos estão a previsão de salário mínimo de R$ 1.741, um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões e a previsão de R$ 6 bilhões para os Correios, que atravessam um processo de recuperação financeira.
Salário mínimo pode chegar a R$ 1.741
A proposta prevê que o piso nacional passe dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027.
São R$ 120 a mais, correspondentes a uma alta nominal de aproximadamente 7,4%. Segundo a Agência Senado, a projeção representa ganho de cerca de 2,3% acima da inflação estimada.
Mas existe uma observação importante: R$ 1.741 ainda não é necessariamente o valor definitivo.
O cálculo final dependerá do comportamento do INPC até novembro. Caso a inflação fique diferente da estimativa utilizada pelo governo, o piso poderá ser revisto antes de entrar em vigor.
O reajuste também afeta aposentadorias e outros benefícios vinculados ao salário mínimo, como BPC, abono salarial e seguro-desemprego.
Governo projeta R$ 18,6 bilhões no azul
Outro número de destaque é a previsão de um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões, equivalente a aproximadamente 0,13% do Produto Interno Bruto.
Na prática, significa que o governo projeta arrecadar mais do que gastar nas despesas consideradas no resultado primário, antes dos juros da dívida.
Se concretizado durante a execução do Orçamento, será o primeiro resultado positivo das contas do governo federal desde 2022.
Há, entretanto, uma diferença importante entre o resultado efetivo e a meta fiscal.
A meta para 2027 é de superávit equivalente a 0,5% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões. Como a legislação permite excluir determinadas despesas do cálculo, o resultado considerado para fins de cumprimento da meta pode chegar a R$ 83,4 bilhões, segundo a apresentação do PLOA.
Economia teria crescimento de 2,46%
Para as projeções fecharem, o governo trabalha com crescimento de 2,46% do PIB brasileiro em 2027.
A proposta também considera inflação de aproximadamente 3,6%, Selic de 12,53% e câmbio médio de R$ 5,22 por dólar.
Esse cenário econômico será determinante, porque crescimento, inflação e arrecadação influenciam diretamente a capacidade do governo de cumprir as metas apresentadas.
Correios poderão receber R$ 6 bilhões
Um dos pontos que certamente provocará debate político é a situação dos Correios.
O projeto prevê R$ 6 bilhões relacionados à estatal, que executa um plano de reestruturação após registrar prejuízos bilionários.
No primeiro semestre de 2026, os Correios acumularam prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões. O valor previsto no Orçamento está relacionado também às condições do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pela empresa com instituições financeiras no fim de 2025.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, ressaltou que a previsão não deve ser interpretada simplesmente como um repasse automático de R$ 6 bilhões. Segundo ele, o aporte está associado ao processo de reestruturação da estatal e envolve contrapartidas.
Previdência ultrapassa R$ 1 trilhão
Entre as grandes despesas previstas para 2027 estão R$ 1,169 trilhão para benefícios da Previdência Social, R$ 440,7 bilhões para pessoal e encargos, R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família e R$ 145,1 bilhões para o BPC.
O projeto reserva ainda R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares impositivas e R$ 61,5 bilhões para o Novo PAC.
Proposta ainda passará pelo Congresso
Todos esses números são previsões, e não valores definitivamente aprovados.
O PLOA será analisado inicialmente pela Comissão Mista de Orçamento e posteriormente submetido ao Congresso Nacional. Os parlamentares poderão apresentar alterações antes da votação final.
Pela Constituição, a proposta orçamentária deve ser encaminhada pelo Executivo até 31 de agosto e a expectativa é que sua votação seja concluída até dezembro.
INFO BOTUCATU | Brasil

