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“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”: Lula defende soberania e critica interferência externa na ONU

Em Nova York, presidente abordou eleições brasileiras, combate ao crime organizado, conflitos internacionais e regulação das plataformas digitais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira, 22 de setembro, na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. A defesa da soberania brasileira e as críticas à interferência estrangeira estiveram entre os principais pontos do pronunciamento.

Ao tratar das relações entre a América Latina e as grandes potências, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A declaração foi acompanhada de críticas a pressões externas sobre os países da região.

Eleições brasileiras entram no discurso

Com a proximidade das eleições de outubro, o presidente levou à tribuna internacional a discussão sobre a autonomia do processo eleitoral brasileiro.

Lula criticou tentativas de ingerência estrangeira e campanhas de desinformação. Também defendeu a segurança do sistema eleitoral e afirmou que a escolha dos governantes deve ser respeitada como uma decisão dos brasileiros.

Nesse trecho, o presidente não mencionou diretamente os Estados Unidos, embora o pronunciamento tenha ocorrido em um cenário de tensões entre os dois países.

Cooperação contra o crime organizado

O combate às organizações criminosas também foi abordado. Lula defendeu a cooperação internacional, especialmente para enfrentar os fluxos de dinheiro e de armas que sustentam esses grupos.

O presidente rejeitou a intervenção estrangeira como resposta ao problema e sustentou que cabe ao Brasil conduzir as ações em seu território. A posição foi apresentada em meio às divergências com Washington sobre a forma de enfrentar as facções brasileiras.

Críticas à atuação da ONU

Em sua décima participação na abertura do debate geral, Lula questionou a capacidade das Nações Unidas de responder às guerras e proteger populações vulneráveis.

O presidente atribuiu parte dessa dificuldade à paralisação do Conselho de Segurança e ao poder de veto das grandes potências. Defendeu mudanças na governança internacional e uma atuação mais efetiva da organização diante das crises.

A avaliação apresentada por Lula foi de que o enfraquecimento da diplomacia e a falta de respostas coletivas ampliam a instabilidade mundial.

Gaza e Ucrânia entre os temas internacionais

Lula voltou a condenar a situação em Gaza, que classificou como genocídio, e criticou a ocupação da Cisjordânia. Também defendeu a solução de dois Estados para israelenses e palestinos.

Sobre a guerra na Ucrânia, insistiu na necessidade de negociação diplomática. O presidente apresentou o diálogo e a cooperação entre países como caminhos para interromper os conflitos.

Pix, apostas e jornada de trabalho

O pronunciamento incluiu assuntos diretamente ligados à agenda doméstica. Lula defendeu o Pix, criticou os impactos das apostas online e abordou a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores, associada ao debate sobre o fim da escala 6×1.

O presidente também tratou da regulação da inteligência artificial e das grandes plataformas digitais, relacionando o tema à proteção dos usuários e à responsabilidade das empresas de tecnologia.

Meio ambiente e desenvolvimento

Na área ambiental, Lula reafirmou compromissos de redução do desmatamento e de enfrentamento das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, defendeu que o desenvolvimento econômico esteja ligado à inclusão social e ao combate às desigualdades.

A fala reuniu, assim, pautas internacionais e temas da disputa política brasileira, com a soberania nacional como um dos eixos centrais do pronunciamento.

Texto: Redação Info Botucatu. Com informações de TMC, Reuters, Associated Press, Folha de S.Paulo, UOL e Estadão Conteúdo.

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