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Mendonça homologa delação de empresário que diz ter gerado dinheiro vivo para equipe de Vorcaro

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirma ter atuado como operador financeiro ligado ao ex-banqueiro; valores teriam sido transportados em malas

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) a delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, no âmbito das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

O acordo havia sido firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhado ao ministro para análise. Com a homologação, a colaboração passa a ter validade jurídica e as informações fornecidas pelo empresário poderão ser utilizadas nas investigações. A decisão tramita sob sigilo.

Dinheiro vivo entregue em malas

Freixo Júnior se apresenta na colaboração como um operador financeiro ligado a Vorcaro.

Segundo relatos sobre o conteúdo da delação, o empresário afirmou que uma de suas funções era conseguir grandes quantidades de dinheiro em espécie para atender solicitações relacionadas à equipe do ex-banqueiro.

O dinheiro, devido ao volume, teria sido transportado e entregue em malas. Freixo relatou ainda a realização de remessas financeiras e operações que classificou como não convencionais.

De acordo com o Correio Braziliense, o delator afirma ter movimentado R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025.

Empresa aparece nas investigações

“Mineiro” é proprietário da Entre Investimentos e Participações, empresa que aparece nas apurações sobre movimentações financeiras relacionadas ao grupo de Vorcaro.

Segundo informações obtidas pela imprensa, Vorcaro transferia recursos ou bens para empresas ligadas ao empresário, que buscava operadores capazes de disponibilizar grandes quantidades de dinheiro em espécie.

Na versão apresentada por Freixo, os responsáveis por fornecer o dinheiro vivo cobravam uma comissão de aproximadamente 4% pela operação.

Delação também alcança financiamento de filme

Outro ponto investigado envolve recursos enviados ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, fundo relacionado ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A apuração busca esclarecer a origem, o caminho e o destino final dos valores envolvidos na operação.

Freixo afirmou, segundo as informações divulgadas, que realizou remessas determinadas por Vorcaro, mas disse não saber qual foi o destino final de todos os recursos.

Homologação não comprova acusações

É importante destacar que homologar uma delação não significa que o STF tenha confirmado como verdade todas as declarações feitas pelo colaborador.

A homologação valida o acordo e permite que as informações sejam investigadas. As declarações do delator precisam ser confrontadas com documentos, registros financeiros, depoimentos e outras provas.

A colaboração poderá agora ajudar os investigadores a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar eventuais destinatários das operações relatadas.

Fonte: informações divulgadas por Folha de S.Paulo, Correio Braziliense e R7

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