Irã fica com drone submarino americano de US$ 2,5 milhões; EUA dizem que equipamento estava quebrado
Dive-LD pode operar sozinho por até dez dias e alcançar 6 mil metros de profundidade; captura abre possibilidade de iranianos estudarem a tecnologia americana
O Irã colocou as mãos em uma peça incomum da tecnologia militar dos Estados Unidos: um drone submarino autônomo avaliado em aproximadamente US$ 2,5 milhões, encontrado na região estratégica do Estreito de Ormuz.
O equipamento é o Dive-LD, desenvolvido pela empresa americana Anduril. O veículo não tripulado tem cerca de 5,8 metros de comprimento e foi projetado para realizar missões submarinas sem colocar uma tripulação humana em risco.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter capturado o aparelho e apresentou o episódio como uma importante operação de inteligência. Segundo Teerã, trata-se de um equipamento moderno dotado de tecnologias avançadas.
Washington reconheceu que o drone caiu nas mãos iranianas, mas apresentou uma versão bem menos espetacular.
EUA: “Estava com defeito”
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o Dive-LD havia apresentado uma falha mais de um dia antes de ser recolhido pelos iranianos enquanto realizava levantamentos em águas da região.
Os militares americanos afirmaram ainda que se tratava de uma versão mais antiga e que o equipamento não transportava dados sensíveis nem sistemas classificados de sonar ou radar. Uma fonte do comando americano chegou a descrevê-lo como praticamente “morto na água” antes de ser recolhido.
A fabricante Anduril também confirmou a perda, mas argumentou que o Dive-LD foi concebido justamente para atuar em ambientes de alto risco, onde a eventual perda de uma unidade é considerada uma possibilidade operacional.
Uma máquina que chega a 6 mil metros
Mesmo diante da versão americana, as capacidades conhecidas do Dive-LD impressionam.
O equipamento pode mergulhar a até 6.000 metros de profundidade e permanecer em operação autônoma por até dez dias antes de retornar à base. Seu valor é estimado em aproximadamente US$ 2,5 milhões por unidade.
Entre suas possíveis missões estão o mapeamento do fundo oceânico, localização e combate a minas marítimas, reconhecimento, coleta de informações e inspeção de cabos, oleodutos e outras estruturas submarinas.
Irã pode tentar copiar a tecnologia
E aqui talvez esteja a parte mais interessante da história.
Especialistas ouvidos pela Reuters consideram praticamente certo que engenheiros iranianos tentarão desmontar e estudar o equipamento, num processo de engenharia reversa.
O Irã possui histórico nessa área. Em 2011, capturou um sofisticado drone aéreo americano RQ-170 Sentinel e posteriormente apresentou aeronaves próprias aparentemente inspiradas no modelo.
Especialistas avaliam que os iranianos poderão aprender bastante sobre a estrutura e os sistemas mecânicos do Dive-LD, embora proteções de software possam dificultar o acesso às partes mais sofisticadas da tecnologia.
Uma vitória de propaganda para Teerã
Mesmo que a versão americana esteja correta e o drone não transportasse tecnologia secreta, sua captura já produziu outro resultado: propaganda.
Representações diplomáticas iranianas passaram a ironizar publicamente os Estados Unidos, enquanto Teerã explora imagens do equipamento para reforçar a narrativa de que consegue vigiar e controlar uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta.
O episódio deixa, portanto, duas narrativas frente a frente.
Para o Irã: uma sofisticada máquina militar americana foi capturada.
Para os Estados Unidos: um equipamento antigo apresentou defeito e acabou recolhido, sem qualquer tecnologia secreta relevante a bordo.
No meio dessa disputa está um drone submarino de US$ 2,5 milhões capaz de chegar a lugares onde pouquíssimos equipamentos construídos pelo homem conseguem operar — e que agora está nas mãos dos engenheiros iranianos.
INFO BOTUCATU — Mundo/Tecnologia

