Info Botucatu

Notícias de Botucatu, região, Brasil e mundo

Info Botucatu

Info Botucatu

Notícias de Botucatu, região, Brasil e mundo

Info Botucatu
MUNDO

Como a China construiu um império do petróleo de US$ 22 bilhões no deserto mais letal do mundo

No Taklamakan, conhecido como “Mar da Morte”, Pequim abriu estradas entre dunas gigantes, criou cinturões verdes contra a areia e perfurou quilômetros abaixo da superfície em busca de petróleo e gás

No extremo oeste da China existe um lugar onde construir praticamente qualquer coisa já seria um desafio. Mesmo assim, foi ali que o país decidiu erguer uma gigantesca estrutura destinada à exploração de petróleo e gás.

Estamos falando do Deserto de Taklamakan, em Xinjiang, uma imensidão de dunas móveis que durante séculos ganhou fama pela hostilidade aos viajantes.

O lugar é conhecido na China como “Mar da Morte”.

Mas, debaixo de toda aquela areia, havia algo capaz de transformar completamente o interesse de Pequim pela região: petróleo e gás natural.

O tesouro escondido sob as dunas

O Taklamakan está localizado dentro da Bacia do Tarim, uma das regiões mais importantes para a exploração energética chinesa.

A busca por petróleo na área começou décadas atrás, mas ganhou força principalmente a partir do final dos anos 1980, justamente quando o crescimento acelerado da economia chinesa aumentava a necessidade de energia.

O problema era chegar até lá.

As dunas se movimentam com o vento, tempestades de areia são frequentes e enormes extensões do território são praticamente desabitadas.

Explorar petróleo no Taklamakan significava, portanto, fazer muito mais do que simplesmente instalar plataformas.

A China precisava primeiro domar a logística do deserto.

Uma estrada no meio do “Mar da Morte”

Uma das respostas foi impressionante.

Entre 1991 e 1995, com participação da empresa responsável pelo campo petrolífero de Tarim e apoio governamental, foi construída uma estrada atravessando o deserto para permitir o transporte de trabalhadores, equipamentos e recursos.

A primeira grande rodovia através do Taklamakan possui mais de 500 quilômetros.

Só que surgiu outro problema: a própria areia ameaçava engolir a estrada.

A solução chinesa parece saída de uma experiência de engenharia ambiental.

China plantou uma barreira contra o deserto

Para proteger a infraestrutura, foi implantado um gigantesco cinturão vegetal acompanhando centenas de quilômetros da rodovia.

O sistema utiliza plantas resistentes às condições extremas para ajudar a conter a movimentação da areia e proteger tanto a estrada quanto instalações relacionadas à exploração petrolífera.

Um cinturão de proteção de aproximadamente 436 quilômetros foi estabelecido e passou a integrar um ecossistema artificial criado no Taklamakan.

Em outras palavras: para retirar petróleo do deserto, os chineses acabaram tendo que construir estradas e até manter uma longa faixa de vegetação no meio de um dos ambientes mais áridos do planeta.

E vieram os US$ 22 bilhões

O tamanho da aposta ficou evidente em 2018.

A estatal China National Petroleum Corporation (CNPC) anunciou investimentos superiores a 150 bilhões de yuans — cerca de US$ 22 bilhões na época — para aumentar a produção de petróleo e gás em Xinjiang.

A estratégia buscava, entre outros objetivos, compensar a redução da produção de campos petrolíferos mais antigos existentes no nordeste chinês.

A dimensão do investimento mostra por que aquela região deixou de ser vista simplesmente como uma gigantesca área desértica.

Ela se transformou em peça estratégica da segurança energética chinesa.

Petróleo a quilômetros de profundidade

E a exploração não ficou apenas próxima da superfície.

Em novembro de 2023, a China anunciou o início das operações do campo petrolífero ultraprofundo de Fuman, também localizado no Taklamakan.

Segundo informações divulgadas pelo governo chinês, o campo possui mais de 1 bilhão de toneladas em reservas e representa o avanço do país na exploração de petróleo e gás em grandes profundidades.

Encontrar essas reservas exige tecnologias capazes de trabalhar vários quilômetros abaixo da superfície, em formações geológicas extremamente complexas.

Por que isso é tão importante para a China?

Existe uma questão estratégica por trás de todo esse esforço.

A China tornou-se extremamente dependente do petróleo importado para alimentar sua economia. Essa dependência é vista há décadas como uma vulnerabilidade estratégica, principalmente porque grande parte do combustível precisa atravessar rotas marítimas internacionais.

Produzir mais petróleo e gás dentro do próprio território significa reduzir parte dessa exposição.

E os acontecimentos recentes mostraram novamente a importância dessa estratégia: além da produção doméstica, a China acumulou enormes reservas de petróleo e ampliou outras fontes de energia para se proteger de crises internacionais de abastecimento.

O deserto que virou uma fortaleza energética

Talvez seja justamente isso que torne a história do Taklamakan tão impressionante.

Onde antes existiam apenas dunas móveis e enormes distâncias sem infraestrutura, hoje passam rodovias, redes de transporte, instalações petrolíferas e cinturões de vegetação construídos para impedir que a areia recupere o território.

A China não eliminou o deserto.

Construiu uma gigantesca operação industrial dentro dele.

E, sob as areias do temido “Mar da Morte”, encontrou uma das peças de sua estratégia para garantir energia a uma das maiores economias do planeta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *