Botucatu está na origem da Rede Vida: morre aos 87 anos João Monteiro de Barros Filho, fundador da emissora
Projeto que se transformou em uma das maiores redes de televisão de inspiração católica do país contou com participação decisiva de Dom Antônio Maria Mucciolo, então arcebispo de Botucatu
Pouca gente sabe, mas Botucatu ocupa um lugar importante na história da televisão brasileira.
A morte do jornalista, radialista e empresário João Monteiro de Barros Filho, aos 87 anos, nesta quinta-feira (10), traz novamente à memória a criação da Rede Vida — projeto que começou a tomar forma no início da década de 1990 e contou com a participação direta de Dom Antônio Maria Mucciolo, então arcebispo de Botucatu. A morte foi confirmada pela própria emissora e também lamentada oficialmente pela CNBB.
Do rádio para um projeto nacional de televisão
Natural de Barretos, João Monteiro começou no rádio ainda jovem, em 1955. Em 1969, fundou o jornal O Diário e, ao longo das décadas seguintes, construiu sua trajetória no setor de comunicação.
Católico leigo, Monteiro alimentava uma ideia ambiciosa: criar uma rede de televisão de inspiração cristã que pudesse alcançar o Brasil inteiro.
Foi aí que Botucatu entrou nessa história.
Dom Antônio Mucciolo abraçou a ideia
O projeto de João Monteiro recebeu a adesão de Dom Antônio Maria Mucciolo, então arcebispo de Botucatu, e de Dom Luciano Mendes de Almeida, então arcebispo de Mariana e uma das figuras mais influentes da Igreja Católica brasileira. A própria história institucional da Rede Vida reconhece a participação dos dois religiosos na implantação do projeto.
Com apoio de dioceses, paróquias, congregações religiosas e leigos, surgiu o Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã (INBRAC), entidade sem fins lucrativos criada para operacionalizar a implantação da futura Rede Vida.
E há um registro histórico ainda mais contundente.
Em sessão solene realizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 2012, Dom Antônio Maria Mucciolo foi apresentado oficialmente como “Arcebispo de Botucatu e cofundador da Rede Vida de Televisão”. Na ocasião, ele próprio relatou sua longa amizade com João Monteiro e os acontecimentos que levaram à implantação da emissora.
Botucatu também ajudou na busca por recursos
A participação de Dom Antônio não ficou restrita ao apoio institucional.
Pesquisa acadêmica sobre a comunicação católica registra que, por intermédio de Dom Antônio, o projeto conseguiu em dezembro de 1994 seu primeiro grande patrocinador, o então Banco Bamerindus.
No ano seguinte, João Monteiro e Dom Antônio viajaram juntos para a Europa em busca de apoio para a nova televisão. Passaram por Portugal e buscaram recursos junto a instituições católicas europeias, conseguindo suporte financeiro na Alemanha.
Ou seja, o então arcebispo de Botucatu participou não apenas da concepção religiosa do projeto, mas também da articulação necessária para colocá-lo efetivamente no ar.
20 de junho de 1995: nasce a Rede Vida
Depois de anos de articulações, a Rede Vida entrou oficialmente no ar em 20 de junho de 1995.
A emissora nasceu com uma proposta que misturava evangelização, jornalismo, prestação de serviços, programas familiares e cobertura das atividades da Igreja Católica.
Nas décadas seguintes, ganhou alcance nacional e passou a transmitir grandes acontecimentos religiosos, incluindo viagens papais, assembleias da CNBB e a Jornada Mundial da Juventude de 2013.
João Monteiro frequentava Botucatu
A relação não terminou depois que a televisão entrou no ar.
Segundo registro da imprensa local, João Monteiro esteve inúmeras vezes em Botucatu, visitando Dom Antônio Mucciolo, com quem mantinha uma amizade de muitos anos.
Por isso, quando contamos a história da Rede Vida, Botucatu não aparece simplesmente como a cidade onde vivia um religioso que apoiou o projeto.
Um dos homens que ajudaram diretamente a transformar aquela ideia em uma rede nacional de televisão estava à frente da Arquidiocese de Botucatu.
Morre o idealizador; fica o legado
João Monteiro de Barros Filho morreu aos 87 anos, deixando uma trajetória de mais de sete décadas ligada à comunicação. A CNBB destacou seu papel na história da comunicação católica brasileira e o legado construído através da Rede Vida.
Para Botucatu, sua morte também resgata um capítulo pouco conhecido da história local.
Antes de a Rede Vida chegar às televisões de milhões de brasileiros, Botucatu já estava ajudando a tornar aquele projeto realidade.
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