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BC acende alerta para avanço das dívidas: crédito caro e inadimplência preocupam

Mesmo com melhora no emprego e na renda, endividamento das famílias se aproxima de 50%; Banco Central prepara medidas para reduzir riscos no crédito

O Banco Central está preocupado com o avanço do endividamento e da inadimplência das famílias brasileiras, principalmente em modalidades de crédito com juros elevados e pouca ou nenhuma garantia.

O alerta foi feito nesta segunda-feira (24) pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante a abertura da Febraban Tech 2026, em São Paulo.

Os números ajudam a explicar a preocupação. O endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em maio. Em 2020, esse percentual era de 41,8%.

O movimento chama ainda mais atenção porque ocorre em um período de melhora do mercado de trabalho e crescimento da renda.

Para Galípolo, o aumento do crédito naturalmente provoca maior endividamento. A preocupação, porém, está no tipo de dívida assumida pelas famílias, principalmente quando o dinheiro é utilizado para consumo imediato e contratado a juros elevados.

Cartão de crédito pesa no orçamento

O cartão aparece entre os principais pontos de atenção.

O número de brasileiros com saldo financiado no rotativo ou parcelamento com juros chegou a 52,8 milhões. O comprometimento médio da renda com despesas no cartão também cresceu e atingiu 54%.

Em junho, a taxa média do crédito rotativo estava em 15,13% ao mês, enquanto o parcelamento com juros registrava média de 9,32% ao mês.

São taxas capazes de transformar rapidamente uma dívida relativamente pequena em um problema para o orçamento familiar.

Consignado privado cresce 145%

Outro sinal de alerta vem do crédito consignado destinado aos trabalhadores do setor privado.

O estoque dessa modalidade saltou de R$ 41 bilhões, em março de 2025, para R$ 102 bilhões em março de 2026, crescimento de aproximadamente 145%.

No mesmo período, a inadimplência passou de 5% para 6,7%, enquanto os juros médios subiram de 40,9% para 57% ao ano.

Empréstimo sem garantia chega a quase 150% ao ano

A situação também preocupa no crédito pessoal não consignado.

O volume dessa modalidade passou de R$ 137,7 bilhões em março de 2020 para R$ 397,2 bilhões em junho deste ano.

Grande parte desse dinheiro foi emprestada sem qualquer garantia do consumidor.

Nessas operações, os juros médios chegaram a 149,5% ao ano, muito acima dos 27,5% registrados nos empréstimos que possuem algum tipo de garantia.

Banco Central prepara medidas

Diante do cenário, o BC estuda medidas chamadas de macroprudenciais, destinadas a reduzir riscos para consumidores, bancos e para o próprio sistema financeiro.

Uma das preocupações é garantir que as instituições mantenham recursos e provisões suficientes para enfrentar eventuais perdas provocadas pela inadimplência.

As mudanças deverão ser implementadas gradualmente.

Galípolo também defendeu uma nova etapa da inclusão financeira no país: depois da ampliação do acesso aos bancos, cartões, Pix e diferentes modalidades de crédito, o desafio passa a ser estimular o uso responsável desses serviços.

O sinal de alerta está aceso justamente porque dívidas e atrasos continuam crescendo mesmo em um ambiente de melhora do emprego e da renda.

Para milhões de brasileiros, a recomendação prática continua sendo evitar transformar despesas do cotidiano em dívidas de longo prazo — principalmente quando envolvem cartão rotativo e empréstimos pessoais com juros elevados.

Fontes: Banco Central do Brasil; declarações de Gabriel Galípolo na Febraban Tech 2026; informações divulgadas em 24 de agosto de 2026.

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