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DestaquePOLÍTICA

Gilmar considera reajuste do Bolsa Família compatível com regras eleitorais; medida enfrenta questionamento

Piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691 em outubro; Ministério Público junto ao TCU pediu suspensão do aumento

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (18) que o reajuste de 15,04% do Bolsa Família não viola as regras eleitorais. O decreto do governo Lula eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691.

Segundo o entendimento do ministro, a medida representa uma atualização pela inflação, sem criação de programa, alteração dos critérios de acesso ou ampliação do número de beneficiários. A decisão foi tomada após manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU).

O anúncio ocorreu a 17 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O governo sustenta que o índice corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

Decisão retoma discussão sobre renda básica

A análise ocorreu no âmbito de um processo sobre a implementação da renda básica. Gilmar relacionou a atualização dos benefícios a uma determinação anterior do STF, de 2021, envolvendo a política de transferência de renda.

A AGU defende que a correção mantém a estrutura do Bolsa Família e atende à previsão de atualização periódica dos valores.

Ministério Público questiona impacto fiscal e eleitoral

Em outra frente, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu a suspensão do reajuste. O subprocurador-geral Lucas Furtado levantou dúvidas sobre a adequação orçamentária e apontou possível influência eleitoral da medida.

O pedido não equivale a uma decisão do TCU. Segundo a reportagem consultada, os argumentos ainda seriam analisados pelo tribunal.

O impacto adicional estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026. O governo informou que pretende remanejar recursos de despesas com previsão de sobra, principalmente da Previdência Social. Para 2027, a previsão é de aproximadamente R$ 22 bilhões adicionais, exigindo ajustes na proposta orçamentária.

Confira os novos valores

BenefícioValor anteriorNovo valor
Mínimo por famíliaR$ 600R$ 691
Renda de Cidadania, por integranteR$ 142R$ 164
Primeira Infância, por criança elegívelR$ 150R$ 173
Variável Familiar, por integrante elegívelR$ 50R$ 58

O benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores serão aplicados na folha de outubro, com pagamentos a partir do dia 19, conforme o calendário do programa. O valor recebido por cada família depende de sua composição e dos benefícios aos quais tem direito. Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

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