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Natália Vorcaro mantém vínculos com 54 empresas e é alvo de representação no MPF, diz reportagem

Levantamento da Agência Pública aponta que 37 empresas não apresentam anotação judicial; suspeitas envolvem negócios imobiliários e possível ocultação de bens

Natália Vorcaro Zettel mantém vínculos com 54 empresas enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, seu irmão, Daniel Vorcaro, seu marido, Fabiano Zettel, e um primo, Felipe Cançado Vorcaro, estão presos sob suspeitas relacionadas ao caso Banco Master. As informações são de reportagem da Agência Pública.

Segundo o levantamento, Natália aparece como representante legal ou administradora de 33 empresas, diretora de outras 13 e presidente de oito. A reportagem informa que o conjunto soma mais de R$ 796 milhões — cifra que não deve ser confundida com o patrimônio pessoal da empresária.

Das 54 empresas relacionadas, 37 não apresentam anotação judicial, conforme a apuração do veículo. Essa condição, isoladamente, não comprova a regularidade de todas as operações nem permite concluir que estejam livres de qualquer restrição.

As atividades incluem participações societárias, holdings não financeiras, investimentos, gestão de negócios e empreendimentos imobiliários. Ainda segundo a Pública, 35 empresas estão registradas em uma mesma sala comercial em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Outras sete têm endereço no mesmo andar de um prédio na capital mineira.

Henrique Vorcaro aparece ligado a 22 das empresas. Daniel não consta oficialmente nas sociedades analisadas, enquanto Fabiano Zettel é sócio de uma delas. Natália e Fabiano são casados sob o regime de separação total de bens.

Negócios motivaram representação criminal

A atuação empresarial de Natália é alvo de uma representação criminal apresentada ao Ministério Público Federal em São Paulo pelo deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP) e pelo deputado estadual Maurici (PT).

Os parlamentares apontam suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, com base em transações financeiras e imobiliárias. O material menciona a análise de compras de 13 imóveis por Natália e de outros 15 pela Ephesus Empreendimentos e Participações, empresa da qual ela é representante legal.

Entre os negócios questionados estão quatro terrenos em Sete Lagoas, em Minas Gerais, adquiridos por R$ 2,5 milhões e que, posteriormente, alcançaram R$ 10 milhões em leilão, segundo a reportagem. Os autores da representação pedem a apuração das circunstâncias dessas operações.

MPF confirma tramitação sob sigilo

Em resposta à Agência Pública, o MPF confirmou que a representação foi protocolada e permanece em andamento. O órgão informou que não poderia fornecer detalhes por se tratar de um caso sob segredo de Justiça.

A Polícia Federal não esclareceu ao veículo se Natália é investigada. A empresária, também procurada pela Pública, não respondeu aos contatos até a publicação da reportagem original.

A representação apresenta suspeitas que dependem de apuração e não equivale a uma condenação. Os vínculos familiares e empresariais mencionados, por si só, não demonstram participação em crimes.

Fonte: Agência Pública, reportagem de Leonardo Fuhrmann.

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