PF mira aliança entre PCC e máfia italiana que enviou 4,6 toneladas de cocaína à Europa
Operação Eredità cumpre sete mandados de prisão preventiva e bloqueia bens de grupo suspeito de manter estrutura internacional do narcotráfico
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Eredità, destinada a desarticular uma organização criminosa transnacional envolvida no envio de grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para a Europa.
Segundo as investigações, a estrutura foi formada a partir de uma aliança entre integrantes da máfia italiana e organizações criminosas brasileiras, com suspeitas de participação de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O grupo é relacionado a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína.
Sete mandados de prisão
Durante a operação, os policiais federais cumpriram sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
A Justiça também determinou:
- bloqueio de contas bancárias;
- sequestro de imóveis;
- indisponibilidade de bens;
- apreensão de valores vinculados aos investigados.
As buscas foram realizadas em Palhoça, em Santa Catarina, e nas cidades paulistas de São Paulo, São Caetano do Sul, Santos e Americana.
A operação é conduzida pela Polícia Federal no Paraná e conta com apoio de autoridades brasileiras e italianas.
Estrutura continuou após prisões
O nome Eredità significa “herança” em italiano e faz referência à forma como o esquema teria continuado funcionando depois da prisão de integrantes da máfia.
Segundo a Polícia Federal, familiares e antigos associados de mafiosos detidos assumiram a coordenação das atividades criminosas no Brasil.
Eles teriam herdado fornecedores, operadores financeiros, contatos e rotas que já eram empregados na compra, no armazenamento e na exportação da droga.
Dois mafiosos italianos foram presos em 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Mesmo após as prisões, a organização teria mantido sua capacidade de enviar cocaína ao exterior.
Porto de Paranaguá era utilizado
Grande parte dos carregamentos saía pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, escondida em contêineres com mercadorias destinadas ao comércio internacional.
A droga tinha como destino países como:
- Itália;
- Bélgica;
- Holanda;
- França;
- Portugal.
Santos e outras cidades portuárias também aparecem nas investigações como pontos estratégicos utilizados pelos integrantes da organização.
O grupo teria contatos para adquirir cocaína produzida em países vizinhos e transportar a droga até os portos brasileiros, onde era preparada para o envio marítimo.
Núcleo financeiro
Além da logística do tráfico, a investigação identificou uma estrutura destinada a esconder a origem e o destino dos valores obtidos com a venda dos entorpecentes.
Empresas, contas bancárias, imóveis e operadores financeiros teriam sido utilizados para movimentar o dinheiro e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Um advogado de Santos está entre os presos e é apontado como suspeito de coordenar parte do núcleo financeiro da organização no Brasil. A defesa nega o envolvimento e informou que recorrerá da prisão.
Todos os investigados terão direito à defesa, e as responsabilidades individuais deverão ser estabelecidas no decorrer do processo.
Cooperação entre Brasil e Itália
A Operação Eredità é um desdobramento das operações Retis e Spiderweb, que identificaram a atuação de grupos italianos no tráfico internacional a partir do território brasileiro.
A apuração também está relacionada às operações Samba e Mafiusi, realizadas em 2024.
As autoridades criaram uma Equipe Conjunta de Investigação formada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Carabinieri e Ministério Público de Turim.
A cooperação permitiu compartilhar provas, identificar integrantes da organização e rastrear o caminho percorrido pela droga e pelo dinheiro.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Crédito das informações: Polícia Federal, UOL e Metrópoles

