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POLÍTICA

PF mira empresários ligados ao gabinete de Mário Frias e a ONG presidida por produtora de filme sobre Bolsonaro

Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão e investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e empresários que mantiveram relações comerciais tanto com seu gabinete quanto com entidades comandadas pela empresária Karina Ferreira da Gama.

Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e contou também com participação da Controladoria-Geral da União (CGU). Não foram expedidos mandados de prisão.

Empresas receberam dinheiro do gabinete

Um dos pontos que chamam atenção é a ligação entre alguns dos empresários investigados e o gabinete de Mário Frias.

Segundo dados da Câmara citados pela imprensa, a Complexsys Soluções Integradas Ltda., de André Feldman, recebeu cerca de R$ 154 mil do gabinete entre setembro de 2024 e abril de 2026. Já a GTrend, ligada a Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina, teria recebido aproximadamente R$ 115,6 mil entre abril de 2023 e agosto de 2024.

A Complexsys também aparece como prestadora de serviços para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, em atividades relacionadas ao contrato de instalação e manutenção de pontos de wi-fi na cidade de São Paulo.

Emendas também estão sob investigação

O ICB recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas parlamentares indicadas por Frias, segundo a investigação. A PF e a CGU apuram a destinação desses recursos e as relações entre entidades beneficiadas, empresas subcontratadas e pessoas próximas ao parlamentar.

A investigação aponta suspeitas de direcionamento de recursos para empresas subcontratadas de maneira irregular e sem comprovação adequada da efetiva prestação dos serviços. A PF apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

Filme sobre Bolsonaro entra na investigação

Outro elemento que tornou o caso nacionalmente relevante é o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Karina Ferreira da Gama é proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, enquanto Mário Frias atua como roteirista e produtor-executivo da produção.

A Polícia Federal investiga uma possível circulação de recursos entre entidades e empresas ligadas ao grupo. Em uma das linhas de apuração, a PF identificou um repasse de R$ 750 mil à produtora Go Up feito por uma empresa ligada a fornecedores do ICB.

Aqui é importante termos cuidado editorial: a própria investigação afirma que os elementos disponíveis ainda não permitem concluir que esses R$ 750 mil tenham origem direta nas emendas parlamentares. A coincidência de valores e datas, porém, está sendo analisada pelos investigadores.

O que dizem os envolvidos

Mário Frias já negou que as emendas destinadas às entidades ligadas a Karina tenham sido direcionadas para qualquer produção cinematográfica. Karina também nega irregularidades.

Como se trata de uma investigação em andamento, os alvos da operação não podem ser tratados como culpados enquanto não houver julgamento e eventual condenação.

INFO BOTUCATU — Política/Brasil

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