Rei de Uganda que assumiu o trono aos 3 anos morre aos 34
Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV tornou-se o monarca reinante mais jovem do mundo em 1995 e comandou por mais de três décadas o tradicional Reino de Tooro
Uma história que começou de maneira extraordinária terminou precocemente nesta semana. Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, rei do tradicional Reino de Tooro, em Uganda, morreu aos 34 anos.
A morte ocorreu por volta das 22h de quinta-feira (27), no horário local, e foi anunciada oficialmente pelo primeiro-ministro do Reino de Tooro, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki.
A causa da morte não foi divulgada oficialmente. Antes do anúncio, autoridades ugandenses haviam informado que o monarca estava em estado grave e recebendo tratamento médico nos Estados Unidos.
Um rei aos três anos de idade
A trajetória de Oyo impressiona desde a infância.
Nascido em 16 de abril de 1992, ele tinha apenas três anos quando seu pai, o rei Patrick David Matthew Kaboyo Olimi III, morreu em agosto de 1995.
Poucas semanas depois, em 12 de setembro de 1995, o menino assumiu o trono de Tooro.
A idade extraordinariamente baixa fez com que Oyo fosse reconhecido pelo Guinness World Records como o monarca reinante mais jovem do mundo.
Por ser apenas uma criança, naturalmente não poderia exercer sozinho as responsabilidades da monarquia. Durante seus primeiros anos de reinado, os assuntos do reino foram administrados por uma regência formada por integrantes da família real e outras autoridades.
Ao completar 18 anos, em 2010, Oyo passou a assumir plenamente suas funções como rei.
Mas Uganda não é uma república?
É justamente aí que essa história fica ainda mais interessante.
Uganda é uma república, governada por presidente e Parlamento. Entretanto, o país reconhece diferentes monarquias tradicionais que remontam ao período anterior à colonização.
Esses reis não governam o país e possuem poder político bastante limitado. Sua importância está principalmente na preservação da cultura, das tradições e da identidade de seus povos.
Tooro fica no oeste de Uganda, próximo à fronteira com a República Democrática do Congo, e Oyo tornou-se uma das figuras tradicionais mais conhecidas do país.
Mais de 30 anos usando uma coroa que recebeu ainda criança
Oyo permaneceu no trono durante praticamente toda a vida.
Ao longo de seu reinado, esteve associado a iniciativas envolvendo educação, juventude, saúde, preservação ambiental e conscientização sobre HIV/AIDS. Também utilizou sua posição para divulgar questões ambientais e o potencial turístico da região.
Sua história chamou atenção internacional justamente pelo contraste entre uma instituição ancestral e um rei que cresceu diante do mundo moderno.
Primeiro veio o “rei menino”.
Depois, o adolescente que precisava conciliar estudos com as tradições da monarquia.
E finalmente o adulto que carregava uma coroa recebida quando provavelmente ainda nem compreendia completamente o significado de ser rei.
Sucessor ainda será apresentado
Oyo não era casado, mas o Reino de Tooro revelou após sua morte uma informação que chamou atenção: o monarca deixou um príncipe herdeiro.
A identidade do sucessor ainda não foi divulgada e será apresentada no momento considerado adequado, seguindo os costumes e tradições da monarquia.
O governo do reino garantiu que a continuidade da Coroa está assegurada.
Os detalhes sobre funeral e período oficial de luto também serão anunciados posteriormente.
Oyo Nyimba deixa uma das trajetórias mais incomuns entre as monarquias contemporâneas: subiu ao trono aos três anos, cresceu como rei e morreu aos 34, depois de carregar a coroa durante mais de três décadas.
Fonte/crédito: Reino de Tooro, Reuters e Associated Press.

