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Rumo às Urnas 2026: cinco candidatos de Botucatu entram na corrida por uma cadeira na Alesp

Mário Pardini aparece com vantagem pelo histórico eleitoral, enquanto Abelardo chega fortalecido pela votação recente; Fernando Bruder, Lívia Maria e Jean Brito tentam ampliar suas bases para levar Botucatu à Assembleia Legislativa

Botucatu terá cinco nomes na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo nas eleições de 2026. Mário Pardini (PSD), Abelardo (Republicanos), Fernando Bruder (Novo), Lívia Maria (PSB) e Jean Brito (DC) representam diferentes trajetórias políticas e chegam às urnas enfrentando um desafio comum: transformar reconhecimento local em votos suficientes numa eleição disputada em todo o Estado.

Uma análise dos resultados eleitorais anteriores mostra que os candidatos partem de posições bastante diferentes.

Se as eleições fossem uma corrida, Mário Pardini largaria alguns metros à frente quando o critério é reconhecimento e votação histórica dentro de Botucatu. Já Abelardo apresenta uma vantagem diferente: possui uma base eleitoral recente, crescente e testada tanto numa eleição municipal quanto numa disputa anterior para deputado estadual.

Isso, entretanto, está longe de definir o resultado.

A eleição proporcional para deputado estadual depende não apenas da votação individual, mas também do desempenho do partido e das regras do sistema eleitoral. Além disso, para transformar uma candidatura local em competitiva no Estado, conquistar votos fora de Botucatu pode ser decisivo.

Pardini chega carregando 58 mil votos na memória eleitoral

Ex-prefeito de Botucatu por dois mandatos, Mário Pardini entra em sua primeira disputa para deputado estadual depois de construir os maiores números eleitorais entre os cinco candidatos na cidade.

Ele foi eleito prefeito em 2016 com 39.045 votos.

Quatro anos depois, ampliou consideravelmente sua votação. Em 2020, foi reeleito com 58.541 votos, correspondentes a aproximadamente 85,6% dos votos válidos.

É um número que naturalmente chama atenção.

Mas existe uma diferença fundamental: eleição para prefeito e eleição para deputado estadual são disputas completamente diferentes.

Para prefeito, Pardini precisava convencer essencialmente o eleitor de Botucatu. Agora terá de disputar votos com candidatos espalhados por todo o Estado de São Paulo.

Sua principal vantagem inicial é justamente o conhecimento de seu nome entre o eleitorado botucatuense e a possibilidade de utilizar os oito anos à frente da Prefeitura como vitrine eleitoral.

Outro movimento importante é sua tentativa de regionalização. Pardini já realizou lançamento de sua pré-candidatura envolvendo lideranças do Polo Cuesta e vem buscando ampliar sua presença política para além dos limites de Botucatu.

Esse pode ser o ponto central de sua campanha.

A pergunta não é apenas quantos votos Pardini terá em Botucatu, mas quantos conseguirá buscar fora dela.

Abelardo tem um dado importante a seu favor: crescimento nas urnas

Se Pardini apresenta o maior patrimônio eleitoral histórico dentro da cidade, Abelardo chega com uma sequência de crescimento que merece atenção.

Em 2016, conquistou 1.767 votos para vereador.

Em 2020, saltou para 2.660 votos.

Na eleição de 2022, resolveu testar seu nome para deputado estadual e recebeu 8.246 votos em 645 municípios paulistas, ficando como suplente.

Dois anos depois, retornou à disputa municipal e conseguiu seu resultado mais expressivo: 4.698 votos para vereador em 2024, tornando-se o vereador mais votado daquela eleição em Botucatu.

É uma informação eleitoral relevante.

Diferentemente dos estreantes na disputa estadual, Abelardo já conhece o desafio de pedir votos fora do município e possui dados concretos sobre onde conseguiu chegar em 2022.

Seu desafio agora será multiplicar significativamente os 8.246 votos daquela eleição.

A seu favor está o fato de entrar em 2026 depois de praticamente dobrar sua votação municipal entre 2020 e 2024.

Fernando Bruder tenta transformar comunicação e posicionamento político em votos

Fernando Bruder disputa sua primeira eleição para deputado estadual.

Jornalista e radialista conhecido em Botucatu, chega pelo Partido Novo com o número 30150.

Sua única experiência eleitoral ocorreu em 2024, quando disputou uma vaga de vereador pelo Republicanos e recebeu 184 votos, ficando como suplente.

Portanto, numericamente, Bruder enfrenta um dos maiores desafios entre os cinco candidatos: transformar reconhecimento profissional e presença nos meios de comunicação em eleitorado.

Sua candidatura também procura ocupar um espaço ideológico mais claramente identificado à direita.

O registro eleitoral de 2026 informa patrimônio declarado de R$ 300 mil.

Para Bruder, a campanha terá necessariamente de produzir uma expansão eleitoral muito superior à votação obtida há dois anos.

Lívia Maria vem aumentando sua votação

Lívia Maria chega à disputa pelo PSB depois de duas experiências eleitorais municipais.

Em 2020, quando concorreu a vereadora pela Rede, recebeu 543 votos.

Quatro anos depois, já pelo PSB, chegou a 854 votos.

Não conseguiu uma cadeira na Câmara Municipal, mas registrou crescimento de aproximadamente 57% entre as duas eleições.

Agora o salto pretendido é muito maior.

Lívia disputará pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa e terá como desafio transformar uma base ainda relativamente pequena em votação regional e estadual.

Servidora pública estadual, possui ensino superior completo e declarou patrimônio de aproximadamente R$ 110 mil à Justiça Eleitoral.

Sua candidatura também representa uma alternativa distinta dentro do espectro político local, o que poderá ajudá-la a buscar um eleitorado diferente daquele disputado pelos candidatos mais associados à direita e ao centro.

Jean Brito volta a tentar uma cadeira na Alesp

Jean Brito já conhece uma eleição estadual.

Policial militar, disputou o cargo de deputado estadual em 2022 pelo Avante e recebeu 347 votos.

Em 2024 tentou uma vaga na Câmara Municipal de Botucatu pelo PRD e obteve 193 votos.

Agora, filiado ao Democracia Cristã, retorna à disputa estadual.

Sua trajetória profissional pode facilitar a identificação com temas relacionados à segurança pública, mas os números anteriores mostram que Brito precisará promover uma expansão eleitoral expressiva para tornar sua candidatura competitiva.

Seu patrimônio declarado na eleição de 2026 é de aproximadamente R$ 280 mil.

Quem larga na frente?

Com a campanha ainda em andamento, seria precipitado apontar quem será eleito. Entretanto, os números permitem identificar diferentes vantagens iniciais.

Pardini possui, de longe, a maior votação individual já conquistada em Botucatu entre os cinco nomes. Os 58.541 votos obtidos em 2020 demonstram uma capacidade eleitoral local que nenhum dos demais candidatos apresentou até hoje.

Isso coloca o ex-prefeito em uma posição inicial privilegiada na disputa pelo voto botucatuense.

Mas existe uma ressalva importante: ninguém pode simplesmente transferir votos de uma eleição para outra.

O eleitor que escolheu Pardini para administrar Botucatu não necessariamente repetirá esse voto para deputado estadual seis anos depois.

Abelardo, por sua vez, apresenta outro indicador relevante. Seus 4.698 votos para vereador em 2024 são muito recentes, e ele já conseguiu alcançar eleitores de centenas de municípios quando disputou a Alesp em 2022.

Por isso, olhando exclusivamente para histórico eleitoral, Pardini e Abelardo começam a corrida com bases mais comprovadas nas urnas.

Fernando Bruder, Lívia Maria e Jean Brito aparecem diante de um desafio maior: precisam ampliar de maneira muito significativa suas votações anteriores e construir bases fora de seus círculos eleitorais atuais.

Cinco candidatos podem também dividir o voto de Botucatu

Existe ainda outro ingrediente importante nessa eleição.

Botucatu possui mais de 100 mil eleitores, mas terá cinco candidatos locais disputando exatamente o mesmo cargo.

Se houver grande pulverização dos votos entre eles, a cidade pode produzir boas votações individuais sem necessariamente eleger um representante.

Por outro lado, uma candidatura que consiga concentrar parcela expressiva do eleitorado local e simultaneamente construir votação no Polo Cuesta e em outras regiões do Estado poderá entrar efetivamente na disputa por uma cadeira.

É aí que as estratégias partidárias também terão enorme importância.

Deputado estadual é eleito pelo sistema proporcional. Portanto, não basta simplesmente estar entre os candidatos individualmente mais votados. O desempenho do partido e a distribuição dos votos dentro da legenda também interferem na composição das 94 cadeiras da Alesp.

E o que eles prometem?

Neste momento da campanha, o Info Botucatu considera prematuro atribuir aos cinco candidatos uma lista fechada de promessas.

Nem todos apresentam, até agora, um conjunto equivalente de propostas formalizadas e facilmente verificáveis nas bases eleitorais consultadas.

Isso deverá mudar nas próximas semanas.

Entre os dias 4 e 11 de setembro, os cinco candidatos estaduais participarão de uma rodada de entrevistas em que deverão falar especificamente sobre Saúde, Educação, Segurança Pública e as motivações de suas candidaturas.

Será uma oportunidade importante para que o eleitor conheça aquilo que cada candidato pretende efetivamente defender caso chegue à Assembleia Legislativa.

E também será o momento de comparar discurso com proposta concreta.

Info Botucatu acompanhará a corrida

A eleição acontece em 4 de outubro.

Até lá, o cenário poderá mudar bastante.

O Info Botucatu continuará acompanhando os cinco candidatos, suas propostas, movimentações de campanha e, principalmente, aquilo que pretendem fazer por Botucatu e pela região caso conquistem uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Nos próximos capítulos desta série, vamos aprofundar o raio-X individual dos candidatos e colocar suas propostas lado a lado.

Porque, mais importante do que saber quem está na frente, é permitir que o eleitor saiba quem são, o que fizeram e o que pretendem fazer aqueles que pedem seu voto.

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